Terapia da Fala | Histórias


Apr 2, 2016

Era uma vez um menino e um mar. Para lá do mar, no horizonte, havia uma cortina de nevoeiro. Do outro lado do nevoeiro estavam as pessoas. O menino escreveu uma mensagem que queria transmitir aos amigos e à família, enrolou o papel num tubo fino e pensou em como a poderia enviar. Olhou em volta e era só areia e água, e o menino desesperou: o mar era tão longo e ele não tinha energia suficiente para o cruzar com o papelinho na mão, fora de água. Uma lágrima formou-se no canto do olho e o brilho dessa gota de água salgada parecia refletir-se algures na areia. Seria mesmo o reflexo de uma lágrima na areia? O menino limpou e esfregou os olhos e (não podia ser!) o brilho era uma garrafa vazia enterrada no chão.

O papel coube direitinho dentro da garrafa e o menino atirou-a ao mar, esperançoso que o movimento das ondas a levasse para lá do mar, que houvesse finalmente comunicação entre ele e as pessoas. Mas o mar apenas devolvia a garrafa à praia, o movimento contínuo das ondas sempre em marcha atrás, e o menino chorou desesperado.  Como chegaria, alguma vez, a sua mensagem aos outros? Porque é que era tudo tão difícil? Porque é que a garrafa não andava para a frente? E porque era o mar tão vasto, tudo tão longe?

Naquele momento, o menino não reparou que a cortina de nevoeiro se principiava em dissipar, uma por uma, todas as gotas da névoa a subirem aos céus, e o mar, agora muito mais claro, a diminuir, diminuir, diminuir, diminuir.

Afinal, as pessoas estavam mais perto do que ele pensava e a distância era menor do que parecia. Num surto de alegria e coragem, o menino decidiu enfrentar o esforço da água e lançou-se a ela, um braço nadando e o outro segurando a garrafa, que brilhava ao sol.

Quando chegou ao pé das pessoas, só lhe ocorreu dar-lhes um abraço, o abraço mais apertado, muito mais forte do que a corrente do mar. Mostrou a mensagem aos amigos e à família. Dizia: EU CONSIGO. EU SOU CAPAZ DE COMUNICAR E INTERAGIR COM O MUNDO.