Terapia Ocupacional | O profissional ao longo da vida


Oct 24, 2019

Segundo a American Occupational Therapy Association a Terapia Ocupacional “é a única profissão que ajuda as pessoas ao longo da vida a fazer o que desejam e necessitam através do uso terapêutico das atividades diárias (ocupações). Os profissionais de Terapia Ocupacional permitem que as pessoas de todas as idades vivam a vida ao máximo, ajudando-as a promover a saúde e a prevenir - ou a viver melhor com - lesões, doenças ou incapacidades”. Para atingir esses objetivos, os Terapeutas Ocupacionais trabalham com pessoas e comunidades de forma a facilitar o envolvimento nas ocupações significativas, ou então através da modificação da ocupação ou do ambiente para facilitar o envolvimento ocupacional. Uma das áreas de intervenção desta profissão na ACIP é a pediatria.

Atualmente uma das maiores preocupações a nível mundial é o uso excessivo da tecnologia, nomeadamente o tempo excessivo que as nossas crianças despendem na utilização dos ecrãs. É arriscado? Podemos dizer que sim.  O facto de as crianças passarem demasiado tempo em contacto com ecrãs significa que também estão a perder oportunidades importantes para praticar e aperfeiçoar competências importantes ao seu desenvolvimento, como as competências de interação social, cognitivas e sensório-motoras.

A tecnologia altera a forma como as crianças socializam e interagem com outras pessoas, o que pode ter um grande impacto no seu bem-estar mental e emocional. Para uma interação eficaz é importante o lobo frontal ser capaz de descodificar e compreender as mensagens verbais e não verbais, o que só é possível desenvolver com a interação cara-a-cara. Estes ecrãs permitem ainda que as crianças controlem vários estímulos e a melhorem a capacidade de processar várias ações em simultâneo, pelo que podemos considerá-los como uma boa ferramenta de atalho, uma vez que estes dispositivos “pensam” por elas, e desta forma estas tendem a pensar apenas superficialmente nas coisas e não desenvolvem a capacidade de pensar criticamente ou de serem criativas. As crianças precisam de explorar os seus ambientes e desenvolver competências motoras, o que não acontecerá se elas passarem o tempo todo a olhar para um dispositivo eletrônico. Quando é colocado um fator facilitador ao entretenimento, estamos a prejudicar o melhor desenvolvimento dessas aquisições, nomeadamente, ao nível da motricidade fina e da destreza manual.

A Academia Americana de Pediatria desencoraja o uso de ecrãs para crianças com menos de 18 meses, e ainda sugere que para crianças com menos de 5 anos se limite o tempo de ecrãs a uma hora por dia.  Apesar do perigo que a superexposição a smartphones pode representar para cérebros jovens, também existem benefícios, pelo que estes devem ser utilizados com moderação. Estimular, dar oportunidades e permitir experienciar, seja em casa ou na creche e/ou jardim de infância, é fundamental para que a criança usufrua de um melhor envolvimento e desenvolvimento durante a infância, e consequentemente uma melhor preparação e adaptação para o futuro e exigências do seu dia a dia.

Crie e desenvolva brincadeiras em conjunto, envolva-se, use materiais simples do dia a dia, as crianças mostram agrado por coisas simples e por norma, seguem o exemplo do adulto. Permita-se experienciar e brincar, é importante para si e para a sua criança.