Epilepsia | Saiba o que é


Feb 13, 2018

O que é?

A epilepsia (do grego ἐπιληψία (epilēpsía): apreensão) é um grupo de perturbações neurológicas crônicas caracterizadas por convulsões, que são o resultado da atividade neuronal anormal (Engel, 2006).

E como se classifica?

As epilepsias podem ser classificadas de acordo com diversos fatores, nomeadamente pela (s):

• Causa

-Idiopática (primária): começa na infância ou adolescência, habitualmente de origem genética. Apresentam boa resposta a tratamento farmacológico, bom prognóstico, e não existe qualquer lesão cerebral.

-Sintomática (secundária): começa em qualquer idade e apresenta múltiplas causas. A resposta farmacológica é incerta, o prognóstico variável e usualmente apresenta-se com lesão cerebral.

 

• Características das convulsões

-Ausência (quando a pessoa parece desligar de repente, ficando completamente alheada).

 -Mioclónicas, clónicas, tónicas, tónico-clónicas (que se manifestam através de movimentos involuntários de uma parte do corpo ou de todo o corpo).

-Atónicas (quando há perda de força e movimento de uma parte do corpo) (Blume et al, 2001).

 

• Localização no cérebro onde se originam as convulsões

 − Convulsões de início parcial ou focal: parcial simples (a consciência não é prejudicada) ou parcial complexa (convulsão psicomotora). As crises parciais podem generalizar (secundária generalizada);

− Convulsões generalizadas;

 −Frontal, lobo temporal;

• Síndromes clínicas das quais são uma manifestação (por exemplo, epilepsia juvenil mioclônica, síndrome de Lennox-Gastaut);

• Evento, se houver, que desencadeia as crises, como a leitura ou a música.

 

Epidemiologia e Etiologia

A epilepsia é um problema mundial que afeta entre 2% e 3% da população, sendo que 75% dos casos começam antes da adolescência. A epilepsia pode ser causada por fatores genéticos, estruturais, metabólicos ou desconhecidos. Entre os fatores estruturais, as causas mais comuns em países em desenvolvimento são doenças infecciosas e parasitárias (principalmente a neurocisticercose), dano cerebral perinatal, doença vascular, e traumatismo craniano - todas evitáveis (Barragan, 2004).

Prognóstico

O prognóstico da epilepsia depende da causa da doença, bem como do tratamento precoce e contínuo. Estima-se que até 70% das pessoas com epilepsia podem viver vidas normais se receberem cuidados adequados. A epilepsia participa de 0,5% da carga global de doenças, medida em anos de vida ajustados por incapacidade (Disability-Adjusted Life Years ou DALY), com 80% dessa carga correspondente para os países em desenvolvimento; esta doença é responsável por 0,7% da carga de doenças da região Latino Americana. Não há diferenças significativas entre os sexos, e a maior carga (2,8%) é encontrada no grupo de 5-14 anos. A incidência, prevalência e mortalidade globais de epilepsia não são uniformes, dependendo de vários fatores. Países em desenvolvimento e desenvolvidos têm diferenças geográficas, econômicas e sociais. A prevalência e a incidência da epilepsia são maiores nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos. No entanto, dentro dos países em desenvolvimento - mesmo tendo em conta a elevada incidência de epilepsia - a prevalência é relativamente baixa, o que pode ser devido à elevada taxa de mortalidade dos pacientes com epilepsia. O prognóstico em países em desenvolvimento parece semelhante ao de países desenvolvidos.

Tratamento

Na maioria das vezes o tratamento é farmacológico, sendo a cirurgia um tratamento de excepção. A especialidade médica que se dedica ao diagnóstico e tratamento da mesma é a neurologia.

 

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